A história do Mel no Jardim começou em 2020, início da pandemia, quando minha família se mudou temporariamente para uma área mais rural. No sítio, era comum encontrar colônias de Apis mellifera instaladas em antigos cupinzeiros. A convivência com aquelas abelhas despertou uma curiosidade que, pouco a pouco, se transformaria em algo muito maior.

Comecei com três caixas de Apis, ocupadas naturalmente pelas próprias abelhas. Alguns meses depois, descobri algo que até então nem sabia que existia: as abelhas nativas sem ferrão do Brasil. Foi aí que tudo começou a mudar.

Entre 2021 e 2022, comecei a estudar cada vez mais sobre as abelhas nativas, participando de cursos, simpósios e buscando compreender melhor sua diversidade, biologia e manejo. Em 2021 nasceu o Mel no Jardim, inicialmente como uma página no Instagram onde eu publicava fotografias acompanhadas de textos sobre as espécies que começava a conhecer. Ao mesmo tempo, o meliponário crescia no sítio, com novas colônias adquiridas e outras capturadas de forma responsável.

Em 2022, o projeto encontrou outro caminho que sempre fez parte da minha vida: a arte. Sempre gostei de desenhar e tinha grande interesse por ilustração científica. Comecei então a estudar e praticar ilustração digital. As abelhas que eu observava passaram também a virar desenhos e ilustrações.

Em 2023, essas ilustrações deram origem à primeira loja do Mel no Jardim, com gravuras inspiradas nas abelhas brasileiras. Pouco depois, surgiu também uma coleção de camisetas com estampas desenvolvidas a partir das minhas próprias ilustrações.

Foi também nesse período que conheci mais de perto um universo que mudaria novamente o projeto: as abelhas solitárias. Tudo começou com um hotel de abelhas instalado no jardim. Logo começaram a aparecer diferentes espécies, formas, cores e comportamentos. Passei a construir novos abrigos, observar suas nidificações, fotografá-las e ilustrá-las. Quanto mais eu observava, mais percebia o quanto essas abelhas ainda eram desconhecidas para a maioria das pessoas.

Em 2024, comecei a produzir vídeos, reels e pequenos documentários mostrando essas espécies e contando suas histórias. A comunicação do Mel no Jardim deixou de ser formada apenas por fotografias e textos e passou também a utilizar o vídeo como ferramenta de divulgação. Foi nesse período que o projeto alcançou um público cada vez maior.

No mesmo ano surgiu uma nova frente: ensinar sobre as abelhas. Fui convidado a desenvolver um curso sobre abelhas nativas para o Programa UniversIDADE, programa de extensão da UNICAMP voltado ao público com mais de 50 anos. Desde então, novas turmas são abertas a cada semestre. O curso começou com cinco encontros e, ao longo dos anos, foi crescendo e incorporando novos conteúdos. No segundo semestre de 2026, chegamos à sexta turma.

A educação também me levou a outros públicos. No final de 2024, realizei uma atividade sobre abelhas com crianças pequenas em uma escola de São Paulo. Depois vieram palestras, oficinas, feiras e diferentes eventos relacionados às abelhas e à educação ambiental.

A arte continuou evoluindo junto com tudo isso. No final de 2025, comecei a aprofundar meus estudos em aquarela, desenvolvendo uma nova forma de representar as espécies que encontrava e estudava.

Hoje, em 2026, o Mel no Jardim reúne muitas coisas que surgiram naturalmente ao longo dessa trajetória: abelhas, arte, ciência, educação e conservação. Fotografo e filmo abelhas, produzo ilustrações, crio conteúdo educativo, ministro cursos, palestras e oficinas, realizo manejos, capturas e multiplicações de colônias e mantenho projetos voltados à proteção das abelhas nativas.

Mas, principalmente, continuo fazendo aquilo que deu origem a tudo: observar, conhecer e ajudar a preservar as abelhas brasileiras, das espécies sem ferrão às milhares de espécies de abelhas solitárias que vivem ao nosso redor.